Psicoterapia, uma alternativa para a superação do sofrimento psíquico
- Andréa Luiza da Silveira

- 1 de mar. de 2017
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de jan.

Você já acompanhou ou viveu alguma situação de sofrimento psíquico no trabalho, no seio familiar, no ambiente de estudos ou nos grupos de amigos? É comum ver pessoas próximas sofrendo com dificuldades existenciais, tais como: timidez, dificuldade de concentração, certa melancolia ou tristeza, dificuldades em relação à sexualidade, insatisfação com o próprio corpo, dificuldades em lidar com determinadas situações sem se emocionar excessivamente (chorar ou explodir), insegurança em relação à profissão, dúvidas na escolha profissional, depressão, esquizofrenia, entre outras. No entanto, é importante saber que, do mesmo modo que tais dificuldades surgem na vida das pessoas, elas podem ser superadas.
Ora, como essa superação é possível? Resolver uma dificuldade desse tipo
só é possível porque a personalidade é constituída historicamente. Mas o que significa essa afirmação?
Vejamos: ao nascer, o bebê é lançado em uma determinada época histórica, em uma determinada cidade e em uma determinada família, portanto, em uma determinada cultura. Cresce, vai para a escola e inicia outro momento de sua socialização, isto é, estabelece novas relações com pessoas que não fazem parte do convívio familiar. Na adolescência, namora ou deseja fazê-lo. Para muitos, a inserção no mundo do trabalho também começa nesse período. Não tarda a necessidade de encarar a escolha profissional. Ingressa-se, então, em um curso profissionalizante ou na universidade e, finalmente, chega-se à vida adulta. Passa-se a ter uma atividade profissional, relações familiares, uma relação amorosa, amigos e assim por diante. Portanto, é vivendo essas relações — familiares, com os amigos, com os estudos, com o trabalho e com o lazer — que uma personalidade é formada.
Assim, a personalidade é construída historicamente por meio de diversas relações: com o tempo (passado, presente e futuro), com os outros (família, amigos), com o corpo (exercícios físicos, ser gordo ou magro, sentir-se bonito ou feio) e com o mundo (instrumentos de trabalho, roupas). Por conseguinte, sendo essas as relações fundamentais da existência humana, é justamente nelas que se dão as complicações psicológicas. O problema psicológico é enfrentado à medida que se buscam soluções para as questões que emergem nessas relações. Nesse sentido, o trabalho do psicólogo consiste em mediar a resolução de tais dificuldades, por meio de um método científico aplicado na psicoterapia.
Vejamos o exemplo de uma pessoa que se complica psicologicamente em determinado momento de sua história pessoal. O Sr. “X” é um homem que possui um cotidiano rigidamente organizado, com horários precisos. Jamais se atrasa e é conhecido por sua pontualidade e responsabilidade. Costuma-se dizer: “Com o Sr. X pode-se contar…”. No entanto, suas responsabilidades no trabalho aumentaram ao mesmo tempo em que passou a ser necessário buscar seu filho na escola todos os dias. Desde então, o Sr. X tem se aborrecido cada vez mais e se irrita com facilidade. Ao buscar o filho na escola, irrita-se profundamente com o trânsito (relação com o mundo), pois acaba chegando atrasado e deixando tarefas por fazer. Atualmente, passa a se irritar também com as pessoas: já houve alguns desentendimentos no trabalho e com sua esposa. Irrita-se quando o filho demora para se arrumar ou quando fica brincando em frente à escola enquanto ele o espera. Nessas situações, o Sr. X acaba brigando com o filho.
De forma geral, ele passou a se irritar facilmente e em qualquer lugar: no trabalho, em casa e até em atividades de lazer. Essa mudança o preocupa, pois, quando percebe, já está brigando, xingando, fazendo o filho sofrer e magoando as pessoas ao seu redor. Ele próprio reconhece essa transformação em sua atitude, não consegue controlar a irritação e não deseja mais se relacionar dessa maneira.
Podemos dizer que o Sr. X não está conseguindo lidar com determinadas relações em um contexto específico de sua vida. Isso o aborrece, pois gostaria que as pessoas continuassem a contar com ele sem medo de que explodisse ou se irritasse. Para superar essa “irritação”, talvez seja necessário o auxílio de um profissional capacitado. A psicoterapia ou a orientação psicológica são alternativas que as pessoas têm para buscar a resolução de problemas psicológicos como os vividos pelo Sr. X.
Se refletirmos sobre os impasses do nosso personagem, veremos que se trata de uma situação bastante corriqueira. Vivemos em uma cultura marcada pelo “corre-corre”, frequentemente apontada como uma condição da vida moderna. Assim, parece que existem muitos “senhores X”, “senhoras X” e até “crianças X”. Mas será que precisa ser assim? Existem alternativas?
Cabe ao leitor responder a essa pergunta. A resposta, provavelmente, é “sim, há alternativas”. Surge, então, outra questão: é possível encontrá-las sozinho? A resposta também é sim, mas trata-se de um caminho difícil. A psicologia está à disposição das pessoas justamente para que, em vez de enfrentarem suas dificuldades sozinhas, possam contar com o suporte de profissionais capacitados, que desenvolvem suas atividades — como o processo psicoterapêutico ou a orientação psicológica — com segurança técnica e ética.



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